Do giz à inteligência artificial
A tradicional pergunta “o que você quer ser quando crescer?” ganhou novos contornos na sala de aula da professora Giovanna Macedo, em Campinas. Utilizando ferramentas de Inteligência Artificial (IA), ela transformou o sonho de 31 alunos do 4º ano em representações visuais realistas de seus futuros profissionais. O projeto, que viralizou, é um exemplo de como a tecnologia pode ser uma poderosa aliada para fortalecer a autoestima e despertar o interesse dos estudantes.
Um aliado na prática docente
Embora não seja especialista em tecnologia, Giovanna utiliza a IA intuitivamente para criar recursos visuais que tornam o aprendizado mais atrativo. O objetivo, segundo a docente, é fazer com que a criança perceba seu potencial. “Nosso papel é encontrar formas de despertar a curiosidade e ampliar os horizontes dos alunos”, destaca.
O desafio do letramento digital
A transição do modelo tradicional para a cultura digital exige cuidado. Especialistas alertam que saber operar um dispositivo não significa, necessariamente, saber pesquisar ou identificar notícias falsas. A diretora educacional Kassula Correa ressalta que a escola deve continuar sendo um ambiente de desenvolvimento socioemocional, onde a mediação humana é insubstituível.
Formação contínua e intencionalidade
Para o professor e pesquisador Marcio Luiz Dias, a formação de docentes deve focar no uso crítico e colaborativo da IA. “A velocidade das mudanças torna impossível que os currículos das faculdades estejam sempre atualizados”, explica. Nas redes de ensino, o foco tem sido usar a IA para automatizar tarefas burocráticas, liberando tempo para que o professor se dedique ao acompanhamento individualizado de cada aluno.
Inovação com ética
Exemplos como o “Arena ABNT”, jogo criado pelo professor Jaime Guilherme de Oliveira para ensinar normas acadêmicas de forma lúdica, mostram que a tecnologia, quando usada com propósito, amplia o alcance do ensino. No entanto, o consenso entre os educadores é claro: a ferramenta pode otimizar processos, mas a sensibilidade, o pensamento crítico e a responsabilidade pedagógica permanecem como atributos exclusivamente humanos.
O futuro das políticas públicas
O Ministério da Educação (MEC) prepara uma nova resolução para estabelecer diretrizes nacionais sobre o uso de IA nas escolas. A medida visa garantir segurança jurídica e promover uma adoção ética da tecnologia, em um cenário onde cerca de 78,7% das escolas monitoradas no país já contam com conectividade de alta qualidade.
Fonte: Agência Brasil. Edição: Amazon Online.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

