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Cortes em auxílios sociais ameaçam economia do interior e podem empurrar milhões à pobreza

Brasil e Mundo

Um novo levantamento do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made-USP) revela um cenário de alerta para os municípios brasileiros fora das regiões metropolitanas. A estagnação ou redução nos valores de benefícios como Bolsa Família, aposentadorias e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) pode desencadear uma crise econômica profunda em milhares de cidades do interior do país.

Motor do comércio local

Nas cidades menores, esses auxílios não são apenas uma ajuda de custo, mas a base da economia. Segundo a economista Luiza Nassif, co-diretora do Made-USP, o recurso recebido pelas famílias é injetado diretamente no comércio local, garantindo o giro da economia, a manutenção de empregos e a arrecadação das prefeituras. Em muitos desses municípios, os benefícios chegam a representar quase metade da renda das famílias mais vulneráveis.

O peso nas cidades amazonenses

O estudo aponta que o impacto é muito mais severo fora dos grandes centros. Enquanto nas capitais a dependência dessas transferências é moderada, no interior o peso dos benefícios na renda agregada é massivo. No Amazonas, Pernambuco e Sergipe, uma eventual interrupção na valorização desses auxílios causaria uma queda estimada em 15% na renda total, um golpe direto no bem-estar da população.

Caminho para a pobreza extrema

A falta de reajuste real dos benefícios é descrita pelos especialistas como um gatilho para a desigualdade. As simulações indicam que a ausência de ganhos reais entre 2022 e 2025 teria empurrado cerca de 2,7 milhões de brasileiros para a pobreza, sendo a maioria — 2,4 milhões — para a extrema pobreza. O levantamento enfatiza que, para quem vive no limite, qualquer valor abaixo da inflação é suficiente para comprometer a dignidade básica das famílias e a sobrevivência do setor varejista local.


Fonte: Agência Brasil. Edição: Amazon Online.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

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