Uma profissão sob estresse constante
O cotidiano de quem atua na linha de frente da informação no Brasil está se tornando cada vez mais insustentável. Uma nova pesquisa, fruto de uma parceria entre a Fundacentro e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), expõe um cenário crítico: a combinação de sobrecarga de trabalho, assédio moral e falta de apoio institucional tem colocado a saúde mental dos profissionais da imprensa em xeque.
Insônia, ansiedade e depressão em alta
Os números são alarmantes. Quase metade dos jornalistas ouvidos pelo estudo (48%) sofre com insônia crônica, um índice que supera significativamente a média nacional registrada pelo Ministério da Saúde. O quadro de adoecimento é agravado por relatos de ansiedade e depressão: 50% dos entrevistados afirmaram enfrentar quadros depressivos, sendo que 25% destes classificam a condição como severa ou extremamente severa.
O peso do assédio e a falta de suporte
Além da pressão natural da profissão, o ambiente de trabalho tem se tornado hostil. O estudo aponta que até 37% dos profissionais já foram vítimas de assédio moral, enquanto o cyberbullying atinge 30% da categoria. Para piorar, 61% dos jornalistas relatam sentir falta de apoio de colegas e chefias, gerando um ambiente de isolamento que potencializa o esgotamento emocional.
Um risco para a democracia
Especialistas e lideranças da categoria alertam que esse cenário não afeta apenas o indivíduo, mas toda a sociedade. A precariedade na saúde mental do jornalista impacta diretamente a qualidade da informação produzida. Como destaca a Fenaj, o jornalismo é um pilar da democracia e, ao negligenciar o bem-estar de seus profissionais, o país compromete o direito fundamental da população ao acesso à informação qualificada e segura.
Fonte: Agência Brasil. Edição: Amazon Online.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

