Um oásis de história no coração carioca
Escondido entre arranha-céus e a agitação da zona sul do Rio de Janeiro, o Quilombo Urbano Ferreira Diniz, no bairro da Glória, tornou-se oficialmente um patrimônio do Brasil. Com um quintal farto de árvores frutíferas e casarões que guardam décadas de memórias, a comunidade de 14 famílias foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), consolidando sua importância histórica e cultural.
Gastronomia e resistência
O local é famoso pela tradicional feijoada da Tia Cida, Maria Aparecida Ferreira. O que começou como uma forma de sobrevivência após a pandemia transformou o quintal em um concorrido polo gastronômico e cultural. Para os moradores, a comida é afeto e resistência: ‘Quando cozinho, foco em passar saúde e força para quem come’, destaca Cida.
O fim do apagamento histórico
O tombamento vai muito além da preservação física dos imóveis. Ele impede a especulação imobiliária e reconhece a existência de um modo de vida coletivo, que desafia a lógica dos condomínios fechados. Como ressaltou a superintendente do Iphan, o ato possui uma função reparatória, combatendo a expulsão histórica das populações negras das áreas centrais das metrópoles brasileiras.
Rumo à regularização total
Com o tombamento garantido, o foco agora é a regularização fundiária pelo Incra. O processo, que conta com o auxílio acadêmico da Universidade Federal Fluminense (UFF), busca assegurar a posse coletiva do território. Para Érida Ferreira, presidente da associação, a medida é uma vitória para o futuro: ‘Dar condições de permanência à comunidade é garantir um país com mais diversidade e respeito às nossas raízes’.
Fonte: Agência Brasil. Edição: Amazon Online.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

