Queda expressiva no combate ao fogo
O monitoramento ambiental no Amazonas aponta um alívio importante para a floresta: entre janeiro e meados de outubro de 2026, as áreas protegidas do estado registraram uma queda de 74,3% no número de focos de calor. O total de ocorrências caiu de 499, no mesmo período do ano passado, para 128 registros em 2026. A retração é celebrada, mas especialistas destacam que o ritmo de melhoria não é uniforme.
Gestão estadual sob pressão
Enquanto as Terras Indígenas e as unidades de conservação federais apresentaram reduções drásticas, acima de 70% e 90% respectivamente, as áreas sob gestão do governo estadual ainda exigem atenção redobrada. As unidades estaduais somam hoje mais de 70% de todos os focos mapeados no estado neste ano. A Área de Proteção Ambiental (APA) Margem Direita do Rio Negro e a APA Nhamundá lideram o ranking de preocupação, concentrando boa parte das ocorrências.
Desafios além das estatísticas
Para o doutor em Ciências do Ambiente, Antônio Norte, o desafio da conservação vai muito além dos números. O especialista aponta que a falta de infraestrutura e a dificuldade de acesso a serviços básicos nessas regiões fragilizam a proteção territorial. “Existe um abismo entre a proteção prevista na legislação e a capacidade operacional do Estado para monitorar territórios tão extensos e de difícil acesso”, avalia.
A importância da preservação
Especialistas reforçam que a manutenção dessas áreas não é apenas uma questão ambiental, mas estratégica para o clima global e para a economia local. Produtos da sociobiodiversidade, como a castanha, e o equilíbrio do ecossistema dependem diretamente da integridade das reservas. Sem uma presença institucional permanente, logística adequada e investimento tecnológico, as áreas protegidas seguem vulneráveis ao avanço de atividades ilegais nas bordas das unidades.
Edição: Amazon Online.
Foto da capa: Reprodução.

