A capital amazonense amanheceu, nesta sexta-feira (9), sob um denso manto de fumaça, tornando a visibilidade precária e forçando medidas drásticas das autoridades. Com o céu tingido de cinza, a Defesa Civil emitiu alertas urgentes recomendando o uso de máscaras para a população, enquanto a Prefeitura de Manaus declarou estado de atenção e suspendeu atividades escolares. O cenário é reflexo de uma crise ambiental sem precedentes no estado.
Um salto alarmante nos focos de calor
Os números comprovam a gravidade da situação: o Amazonas registrou 3.726 focos de calor em setembro, um aumento de quase quatro vezes em relação aos 942 registrados no mesmo período de 2025. Esse crescimento explosivo é potencializado por uma seca severa que assola a região. Entre julho e setembro, Manaus acumulou apenas 44 milímetros de chuva, um volume drasticamente inferior aos 202 milímetros esperados para o trimestre.
O efeito do El Niño e o descontrole do fogo
Especialistas explicam que, embora o desmatamento tenha caído, o manejo tradicional de renovação de pastagens tornou-se uma arma perigosa. Com a floresta extremamente ressecada pela influência do El Niño, pequenas queimadas perdem o controle e avançam sobre a vegetação nativa. A ausência de chuvas e ventos — os “faxineiros” naturais da atmosfera — impede a dispersão dos poluentes, mantendo a qualidade do ar em níveis críticos.
Investigação e cobrança
Diante da ineficiência percebida no combate inicial, o Ministério Público de Contas do Amazonas (MPC-AM) solicitou uma investigação rigorosa sobre as ações do governo estadual durante o período de estiagem. Enquanto a fumaça persiste, o cenário climático impõe um desafio crítico: sem previsão de chuvas significativas, a população de Manaus continua refém de um ar insalubre e de uma crise ambiental que exige respostas imediatas.
Edição: Amazon Online.
Foto da capa: Reprodução.

