O Geledés – Instituto da Mulher Negra deu um passo importante para a valorização de quem dedica a vida ao cuidado de terceiros. A organização lançou um Guia de Acesso a Políticas de Cuidado, um manual prático e didático projetado para orientar cidadãos sobre como acessar benefícios e amparos estatais essenciais, combatendo a histórica invisibilidade dessa atividade fundamental para a sociedade.
Um manual para facilitar direitos
O guia funciona como um mapa para o cidadão, detalhando o passo a passo para navegar em plataformas digitais como o portal ‘sougov.br’ e o ‘SUS Digital’. Mais do que instruções técnicas, o documento oferece um resumo estruturado de políticas públicas voltadas a grupos específicos, tornando o acesso à informação mais democrático e inclusivo.
Quem o guia pretende alcançar?
A publicação é ampla e contempla diferentes realidades brasileiras. O conteúdo é dividido por eixos que abrangem desde o suporte a crianças, adolescentes e idosos até o auxílio a pessoas com deficiência. Um destaque especial vai para públicos em situação de vulnerabilidade, incluindo mães solo, famílias em extrema pobreza, comunidades tradicionais — como indígenas e quilombolas — e familiares de vítimas de feminicídio.
A realidade do trabalho de cuidado
Historicamente, o setor de cuidados é composto majoritariamente por mulheres negras e periféricas, que exercem funções tanto de forma remunerada — como domésticas e cuidadoras — quanto não remunerada, no suporte cotidiano a familiares. Segundo dados da ONU Mulheres, as brasileiras dedicam, em média, dez horas semanais a mais que os homens a essas tarefas, o que acaba limitando o tempo para educação, lazer e participação política.
O avanço da Política Nacional
Embora a Política Nacional de Cuidados tenha sido instituída no Brasil apenas no final de 2024, a iniciativa do Geledés chega em um momento crucial para dar visibilidade à causa. Nilza Iraci, coordenadora do instituto, reforça que o material serve não apenas como consulta, mas como um convite à reflexão sobre a importância dessas mulheres para o desenvolvimento do país e para a própria saúde da nossa democracia.
Fonte: Agência Brasil. Edição: Amazon Online.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

