Crise respiratória e impunidade
Manaus amanheceu, pelo segundo dia consecutivo, sob uma densa nuvem de fumaça, reflexo das queimadas que consomem o interior do estado e a Região Metropolitana. Com a qualidade do ar classificada como a pior do Brasil, a capital vive um cenário crítico que coloca a saúde da população em risco. Enquanto a Defesa Civil emite alertas e recomenda o uso de máscaras, especialistas apontam que o problema é muito mais profundo: o combate atual, na prática, atinge apenas a base da pirâmide, poupando os verdadeiros mandantes e financiadores da destruição ambiental.
Onde está o dinheiro do crime?
Para o doutor em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia, Antônio Norte, o nó central da crise é a impunidade da cadeia financeira. O pesquisador destaca que a repressão estatal falha ao focar apenas no executor material. ‘Muitas vezes, a investigação alcança apenas quem coloca o fogo, enquanto os mandantes e beneficiários econômicos permanecem intocáveis’, alerta o especialista.
Desafio na produção de provas
O gargalo não está na falta de leis, mas na dificuldade em conectar os focos de calor identificados por satélite aos tomadores de decisão. Norte defende uma integração de dados robusta, que una o monitoramento do INPE, registros do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e rastreamento financeiro. A ideia é romper a fragmentação das investigações que, atualmente, favorece a impunidade dos grandes grupos que lucram com o desmatamento.
A necessidade de uma mudança estratégica
O especialista reforça que a resposta do Poder Público não pode ser apenas reativa, focada apenas quando a fumaça já está sobre Manaus. É necessário uma política de prevenção permanente baseada em gestão territorial e articulação entre esferas federal, estadual e municipal. Com a qualidade do ar em níveis severos, a urgência de planos integrados de contingência e sistemas de alerta precoce torna-se vital para evitar que a população amazonense continue sendo a principal vítima da ineficiência fiscalizatória.
Edição: Amazon Online.
Foto da capa: Reprodução.

