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Crise de sarampo nos EUA acende alerta no Brasil: o perigo do negacionismo

Brasil e Mundo

Uma ameaça além das fronteiras

O retorno do sarampo em proporções alarmantes nos Estados Unidos, com mais de 4,4 mil casos confirmados e três mortes este ano, colocou as autoridades de saúde brasileiras em estado de alerta. O surto, considerado o pior em três décadas, tem sido diretamente associado a uma onda de desinformação e mudanças controversas no calendário vacinal promovidas pela gestão de Donald Trump.

Reflexos no Brasil

Embora o Brasil mantenha o status de área livre da doença desde 2024, a situação internacional pressiona a vigilância sanitária nacional. Eder Gatti, diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), destaca que o cenário de retrocesso americano coloca todo o continente em risco, exigindo que o país reforce a vacinação para evitar uma nova crise como a ocorrida em 2019, que chegou a registrar 19 mil casos em São Paulo.

O impacto da desinformação

A decisão do governo americano de desmembrar a vacina tríplice viral — um imunizante consolidado desde a década de 1970 — é vista por especialistas brasileiros como uma medida sem base científica que compromete a confiança da população. Juarez Cunha, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), alerta que a propagação de fake news, incluindo a falsa associação entre vacinas e autismo, cruza fronteiras e já afeta o comportamento de pais brasileiros, que começam a questionar a aplicação de imunizantes básicos, como o da hepatite B.

A vacinação como barreira

O Amazonas, que registrou 17 casos entre setembro e outubro, é um exemplo da necessidade de esforço constante. O estado aplicou quase 192 mil doses como medida de bloqueio para impedir que a transmissão ganhasse força. Especialistas reforçam que a vacina é uma ferramenta de bloqueio: quando 95% da população está protegida, cria-se um ambiente de imunidade coletiva que protege até os mais vulneráveis, como recém-nascidos e pessoas com baixa imunidade. A lição é clara: a complacência é o maior inimigo da saúde pública.


Fonte: Agência Brasil. Edição: Amazon Online.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

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