A estiagem severa que assola o Amazonas trouxe um desafio ainda mais dramático para as comunidades ribeirinhas: o agravamento do fenômeno conhecido como ‘terras caídas’. O processo de erosão acelerada tem provocado o desmoronamento constante das margens dos rios, forçando famílias a desmontarem e mudarem suas casas de lugar repetidamente para escapar do avanço das águas e da instabilidade do solo.
Risco constante e prejuízos materiais
Na comunidade São Francisco da Mangueira, em Juruá, o cenário é de alerta permanente. Estruturas comunitárias, incluindo uma escola, precisaram ser realocadas para evitar que fossem engolidas pelo rio. Estudos da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) apontam que o fenômeno é resultado do escavamento constante das águas nas bases dos barrancos, causando o colapso de grandes blocos de terra. Atualmente, 40 municípios amazonenses estão em situação de emergência, com mais de 100 mil famílias atingidas pela seca.
A vida em constante mudança
Para moradores como o pescador Moisés Lima, a mudança de endereço já se tornou uma rotina traumática. Ele relata que está construindo sua terceira casa, cada vez mais distante da margem original. O secretário de Meio Ambiente de Juruá, Pedro Damasceno, destaca que a realocação é planejada com base na sabedoria dos próprios comunitários, que tentam prever o avanço da erosão para garantir um período de segurança de até uma década.
Impacto na rotina e na economia
Além da perda de moradias, a erosão causa danos severos à infraestrutura básica, derrubando postes de rede elétrica e dificultando o acesso à água potável, obrigando famílias a buscarem alternativas como o uso de bombas. A economia local também sofre o impacto: a temporada de manejo de pirarucu e tambaqui, essencial para a subsistência das comunidades, está paralisada. A falta de navegabilidade nos córregos impede o acesso aos lagos, forçando os pescadores a aguardarem a subida dos rios para retomar suas atividades.
Edição: Amazon Online.
Foto da capa: Reprodução.

