O impacto na Previdência
O debate sobre o possível corte de gastos públicos no Brasil ganhou um novo capítulo com a inspiração do modelo econômico adotado por Javier Milei na Argentina. Enquanto políticos brasileiros discutem a aplicação de um rigoroso ajuste fiscal, os números do país vizinho revelam um cenário de impacto severo para a classe idosa, marcado pela redução drástica no acesso a benefícios previdenciários.
Queda de 53% nas novas aposentadorias
A mudança mais significativa ocorreu com o fim da moratória previdenciária, uma regra que permitia a regularização de períodos sem contribuição para trabalhadores que atingiram a idade mínima. Desde que a medida entrou em vigor em 2025, o número de novos beneficiários na Argentina despencou de 213,9 mil, no primeiro semestre de 2024, para 99,6 mil no mesmo período de 2026. Essa redução de 53% sinaliza um fechamento nas portas do sistema previdenciário argentino.
Perda de poder de compra
Além da dificuldade de acesso, a fórmula de cálculo dos benefícios também sofreu alterações. Com o Decreto de Necessidade e Urgência (DNU) 274, o governo Milei substituiu o ajuste baseado na arrecadação e salários pela correção exclusiva pela inflação. Segundo o Centro de Economia Política Argentina (Cepa), essa mudança causou uma desvalorização de 21,6% no piso das aposentadorias até junho de 2026, consolidando a perda de poder de compra dos beneficiários.
Crise e cortes na saúde
A situação dos idosos argentinos agravou-se com o corte de subsídios para medicamentos através do programa Pami, que restringiu a gratuidade a apenas uma parcela da população de baixa renda. Relatos de especialistas locais apontam que o valor atual das aposentadorias cobre apenas 25% das necessidades básicas de um cidadão, levando a uma onda de protestos constantes nas ruas de Buenos Aires. O governo Milei, por sua vez, mantém os vetos a projetos de lei que visavam recompor as perdas, sob a justificativa de preservação do orçamento público.
Fonte: Agência Brasil. Edição: Amazon Online.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

