Adeus, projeção de Mercator
Durante séculos, a visão que tivemos do mundo foi marcada por uma imprecisão técnica. Desde o século 16, a projeção de Mercator, criada para navegação, acabou reduzindo visualmente a importância da África, da América do Sul e do Sul da Ásia. Agora, a Assembleia Geral das Nações Unidas decidiu virar essa página. Em uma votação histórica com o apoio de 164 países, a ONU aprovou a proposta ‘Corrija o mapa’, que busca imprimir maior equidade e verdade científica às representações cartográficas globais.
Justiça cognitiva e representação
Liderada pelo Togo e apoiada pela União Africana, a iniciativa vai muito além de um simples ajuste geográfico. Para o ministro das Relações Estrangeiras de Togo, Robert Dussey, a mudança trata de dignidade e de corrigir a percepção global. O argumento central é que os mapas não são apenas desenhos técnicos, mas ferramentas culturais que moldam o imaginário coletivo. Ao corrigir o tamanho dos continentes, a ONU busca promover justiça cognitiva e reparar vieses históricos que, por gerações, desequilibraram nossa compreensão geopolítica.
O modelo ‘Terra Igual’
A solução adotada pela ONU é o modelo de ‘Terra Igual’, uma projeção cartográfica que oferece uma visão muito mais fiel das dimensões reais de cada continente. A expectativa da organização é que governos, escolas e empresas de tecnologia adotem esse novo padrão para substituir as representações distorcidas. O passo reforça o compromisso assumido no Pacto para o Futuro de 2024, que visa erradicar desigualdades estruturais e promover uma visão de mundo mais inclusiva e precisa para as próximas gerações.
Fonte: Agência Brasil. Edição: Amazon Online.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

