Uma tradição que atravessa gerações
O Dia de São Cosme e São Damião foi marcado por celebrações intensas no Rio de Janeiro, unindo a fé católica e o sincretismo das religiões de matriz africana. Em paróquias e terreiros da Zona Norte, a data foi celebrada com o tradicional gesto de distribuição de doces, um símbolo de gratidão, alegria e resistência contra a intolerância religiosa.
Fé católica e memória
Na Paróquia de São Cosme e São Damião, no bairro do Andaraí, fiéis como a professora Caroline Pinho de Araújo renovaram seus votos de gratidão. Para ela, a entrega de doces é uma forma de compartilhar bênçãos e combater o ódio. O vigário da paróquia, padre Luiz Gustavo Menezes, destacou a importância histórica dos santos médicos, martirizados no século III, reforçando que o exemplo de dedicação dos irmãos permanece vivo na cultura popular carioca após quase dois milênios.
Sincretismo e resistência cultural
A celebração também ganhou força nos terreiros de umbanda, onde a figura dos santos se funde aos erês, entidades infantis que representam a pureza. No Terreiro de Umbanda São Cosme e São Damião, em Vila Isabel, a distribuição de guloseimas e brinquedos foi conduzida sob o signo do resgate ancestral. Segundo a mãe de santo Ana Carolina Oliveira, manter a tradição é um ato de preservação histórica que remonta ao período colonial, quando o sincretismo foi a ferramenta encontrada pelos escravizados para manter viva sua espiritualidade.
Curando através da alegria
Para o historiador Luiz Antonio Simas, o legado de Cosme e Damião vai além das fronteiras religiosas. Médico-santos que tratavam crianças sem cobrar nada, eles teriam consolidado a fama de milagreiros através da alegria, utilizando doces como parte do processo de cura. Essa conexão entre bem-estar, doçura e espiritualidade continua a ser o pilar que atrai milhares de brasileiros, renovando a cada ano a esperança e o sentimento de comunidade.
Fonte: Agência Brasil. Edição: Amazon Online.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

