Cenário de incertezas
A economia da Argentina vive um momento crítico. Dados oficiais do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) revelaram uma retração de 1,74% na atividade econômica em agosto, na comparação com o mesmo mês de 2025. Este é o segundo mês consecutivo de números negativos, consolidando um cenário que especialistas já classificam como um risco real de recessão para o país vizinho.
Setores em queda e respiros isolados
O impacto negativo foi sentido de forma generalizada. Setores vitais para a economia argentina apresentaram quedas expressivas, com destaque para a pesca (-15,7%), intermediação financeira (-3,8%) e o comércio varejista (-3,5%). A indústria manufatureira e a construção civil também registraram perdas, sinalizando um enfraquecimento do mercado interno.
Em contrapartida, os setores de mineração, petróleo e gás (+11,1%) foram os principais responsáveis por evitar um cenário ainda mais sombrio. Contudo, analistas ponderam que esses segmentos dependem majoritariamente do mercado externo e de preços internacionais, o que limita o benefício para a vida cotidiana da população.
O impacto das políticas de Milei
Para a economista Clara Brenck, da UFMG, a situação é preocupante e reflete um aumento significativo no desemprego. Especialistas apontam que as medidas de corte de gastos promovidas pelo governo de Javier Milei não têm gerado o aquecimento do setor privado prometido inicialmente.
Enquanto o governo argentino tenta trazer otimismo, destacando um leve crescimento mensal de 0,1% em agosto e recordes nas exportações agroindustriais, a realidade nas ruas e o desempenho da indústria nacional continuam sob forte pressão, deixando a economia do país em um momento de estagnação prolongada.
Fonte: Agência Brasil. Edição: Amazon Online.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

