O choque nos incubatórios
Uma investigação conduzida pela organização Mercy For Animals (MFA) trouxe à tona uma realidade brutal na indústria de ovos brasileira: a trituração de pintinhos machos recém-nascidos. Em um único dia, cerca de 35 mil aves foram eliminadas em uma unidade industrial. O método, que utiliza lâminas rotativas de alta velocidade, é aplicado porque machos não produzem ovos e são considerados inadequados para a produção de carne, tornando-se um ‘descarte’ indesejado logo após o nascimento.
Senciência e sofrimento
Especialistas alertam que os animais, com menos de 24 horas de vida, possuem sistema nervoso formado e capacidade de sentir dor e medo. A investigação revelou ainda que a morte nem sempre é instantânea, prolongando o sofrimento das aves. Além dos machos, o descarte também atinge fêmeas consideradas fora do padrão comercial.
A solução tecnológica
O setor discute a adoção da ‘sexagem in ovo’, uma tecnologia que identifica o sexo do embrião durante a incubação, evitando o nascimento de pintinhos que seriam sacrificados. Países europeus como França e Alemanha já avançaram na proibição da trituração, enquanto no Brasil, a tecnologia ainda engatinha devido aos custos operacionais, que podem encarecer a produção entre 80% e 150% por ave.
Caminhos no Congresso
O tema agora ganha os corredores de Brasília, com projetos de lei (como o PL 783/2024) que buscam proibir a prática. Apesar da resistência de parte do setor agropecuário sob alegações econômicas, a pressão social aumenta: dados apontam que 79% dos consumidores brasileiros apoiam a adoção da sexagem in ovo e estariam dispostos a pagar um valor adicional por produtos que respeitem o bem-estar animal.
Fonte: Agência Brasil. Edição: Amazon Online.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

