Manaus vive um cenário preocupante. Nos últimos meses, a capital amazonense tem sido sufocada por episódios recorrentes de fumaça tóxica, um problema que não apenas altera a rotina dos moradores, mas impõe um desafio severo à saúde pública. Com nove dias consecutivos de névoa densa em outubro, a cidade enfrentou o fechamento de escolas e o cancelamento de atividades esportivas, enquanto centenas de cidadãos buscavam atendimento médico por crises respiratórias.
Onde nasce a fumaça?
A origem dessa névoa não está restrita à zona urbana. A fumaça é transportada pelas correntes de vento, trazendo para Manaus o impacto de incêndios florestais intensos ocorridos na Região Metropolitana e em municípios do interior. De acordo com o meteorologista Leonardo Vergasta, a capital acaba se tornando um funil, recebendo a poluição gerada localmente somada a todo o material particulado vindo das áreas atingidas pelo fogo no interior do estado.
Um cenário de emergência
Os números do Inpe são alarmantes: entre setembro e meados de outubro, o Amazonas registrou mais de 5,3 mil focos de incêndio, um salto de 195% em relação ao ano passado. A situação forçou o Governo do Estado a decretar emergência em 36 dos 62 municípios amazonenses. A qualidade do ar em Manaus chegou a níveis classificados como “perigosos” pela plataforma internacional IQAir, afetando diretamente a vida de quem já sofre com problemas crônicos como asma e rinite.
Seca e ação humana: a combinação fatal
O agravamento das queimadas é resultado de uma combinação perversa. De um lado, o fenômeno climático El Niño, que intensifica a seca, aumenta a temperatura e reduz drasticamente a umidade do solo e da vegetação. Do outro, a ação humana, que atua como o principal gatilho. Investigadores ambientais já identificaram focos de incêndio em áreas preservadas, distantes de terras agropecuárias, o que levanta fortes suspeitas de crimes ambientais deliberados.
Resposta das autoridades
Diante do colapso, o Governo Federal enviou uma força-tarefa com quase 300 brigadistas e uma frota de 11 aeronaves para combater as chamas. O Estado, por meio da operação Amazonas+Verde, mantém a proibição do uso do fogo por 120 dias. Apesar do esforço conjunto, a luta contra o avanço das chamas continua sendo uma corrida contra o tempo para proteger as comunidades indígenas, a biodiversidade da floresta e a saúde da população urbana.
Edição: Amazon Online.
Foto da capa: Reprodução.

