Desigualdade estrutural
Um levantamento detalhado do Censo 2022, divulgado pelo IBGE, escancara uma realidade preocupante: as pessoas com deficiência no Brasil ainda vivem em condições habitacionais inferiores quando comparadas às pessoas sem deficiência. A disparidade começa no saneamento básico, onde apenas 59,8% dos lares com pessoas com deficiência possuem ligação à rede de esgoto ou fossas, frente aos 63,1% das demais residências.
Acesso limitado a serviços e tecnologia
A exclusão digital e o acesso a bens de consumo básicos também revelam um cenário de desigualdade. Enquanto 90,2% dos lares sem pessoas com deficiência possuem acesso à internet, esse índice cai para 78,9% nas residências onde vivem PCDs. A falta de infraestrutura se estende a itens domésticos essenciais, como máquinas de lavar, presentes em menos lares de pessoas com deficiência.
Deslocamentos mais longos e exaustivos
A mobilidade urbana é outro grande obstáculo. Trabalhadores com deficiência gastam, em média, 37 minutos para se deslocar até o trabalho, um tempo 12% maior do que o registrado por pessoas sem deficiência. Além disso, a dependência de transporte público e a necessidade de se deslocar a pé ou de bicicleta são muito mais frequentes, evidenciando a falta de acessibilidade no sistema de transporte privado e coletivo.
Representatividade em queda
O cenário político também apresenta sinais de retrocesso. O número de pessoas com deficiência eleitas para cargos de vereador e prefeito no Brasil caiu drasticamente entre os pleitos de 2020 e 2024. Segundo o IBGE, a queda foi registrada tanto no número de candidaturas quanto nos eleitos, o que reflete uma barreira persistente na participação democrática deste segmento da população.
Políticas públicas ainda insuficientes
Embora existam avanços em esferas específicas, como o aumento da presença de servidores com deficiência no funcionalismo público federal, a gestão municipal ainda falha em garantir direitos básicos. Apenas uma pequena parcela dos municípios brasileiros possui políticas consolidadas, como fundos municipais ou adaptações efetivas em espaços públicos para assegurar a autonomia das pessoas com deficiência.
Fonte: Agência Brasil. Edição: Amazon Online.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

