A política externa brasileira está no centro do debate eleitoral de 2026, com os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) apresentando propostas que revelam visões antagônicas sobre o papel do Brasil no cenário mundial. Enquanto o petista busca fortalecer o Sul Global, o candidato do PL aposta em um alinhamento estratégico com os Estados Unidos, Israel e Argentina.
Soberania versus Alinhamento
O plano de governo de Lula enfatiza a necessidade de um mundo multipolar e critica o que chama de “ordem mundial predatória”. O documento defende a soberania nacional e o fortalecimento de blocos como o Brics, além de pregar o diálogo diplomático em zonas de conflito. Em contrapartida, Flávio Bolsonaro argumenta que o país deve abandonar o que classifica como “ideologização” da diplomacia, prometendo uma aproximação pragmática com potências ocidentais.
Defesa e Tecnologia
O fortalecimento da indústria de defesa é uma promessa de ambos os lados, embora com estratégias diferentes. Lula destaca os investimentos realizados no atual mandato, citando a produção local de caças Gripen e cargueiros KC-390, além da construção de fragatas. Já o projeto de Flávio Bolsonaro foca na atração de capital estrangeiro e no uso de inteligência artificial e drones para modernizar as Forças Armadas.
O jogo das terras raras
Um dos pontos mais sensíveis da disputa é o mercado de minerais críticos. Lula propõe uma estratégia regional para agregar valor às reservas brasileiras e evitar a dependência externa. Flávio Bolsonaro adota uma narrativa diferente, propondo usar a riqueza mineral do país como um trunfo estratégico para os Estados Unidos, visando reduzir a dependência norte-americana em relação à China.
Tensões comerciais e o futuro do Itamaraty
O cenário é marcado por tensões provocadas por tarifas comerciais impostas pelo governo de Donald Trump, tema que divide as campanhas. Lula acusa a oposição de ter articulado sanções contra o Brasil, enquanto Flávio Bolsonaro atribui as dificuldades diplomáticas à postura adotada pelo atual governo, prometendo reverter o quadro com uma gestão pautada por critérios técnicos.
Fonte: Agência Brasil. Edição: Amazon Online.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

