Uma carta branca perigosa
O anúncio do governo Trump sobre a adoção de um modelo de autorregulação voluntária para as gigantes da tecnologia (big techs) no setor de Inteligência Artificial acendeu um sinal de alerta entre especialistas. A medida, que transfere para as próprias corporações a responsabilidade pelos controles de segurança, é vista por analistas como uma “carta branca” que coloca em risco pilares fundamentais da sociedade, como a saúde pública e a democracia.
Controles ineficazes
O sociólogo Sérgio Amadeu, professor da Universidade Federal do ABC, foi enfático ao criticar a decisão. Para o especialista, delegar o controle democrático da tecnologia às mesmas empresas que lucram com seu desenvolvimento é um erro estratégico. Amadeu argumenta que os supostos “controles internos” anunciados pelas empresas são práticas básicas e insuficientes, que não combatem os riscos reais de usos maliciosos ou danos colaterais das novas tecnologias.
O fantasma da fragilidade
A promessa de auditorias externas independentes também é colocada em dúvida. Como os auditores serão remunerados pelas próprias empresas fiscalizadas, surge o conflito de interesses. Especialistas comparam a situação a acordos voluntários do passado, como a Moratória da Soja, que perderam a validade assim que o cenário econômico mudou. O temor é que, ao se tornarem comercialmente inconvenientes, essas proteções sejam simplesmente descartadas pelas empresas.
Riscos à saúde e à democracia
Os perigos da IA vão muito além de falhas técnicas. O uso indiscriminado da tecnologia pode viabilizar desde a vigilância em massa até diagnósticos de saúde perigosos e a manipulação da opinião pública. Relatórios internacionais apontam ainda que sistemas avançados de IA podem fornecer instruções para o desenvolvimento de armas biológicas e químicas, evidenciando que a ausência de uma regulação estatal firme representa um risco global.
Fonte: Agência Brasil. Edição: Amazon Online.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

