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Autazes vira epicentro das queimadas no Amazonas com ar em estado crítico

Amazonas

O município de Autazes, na Região Metropolitana de Manaus, tornou-se o principal ponto de atenção das autoridades ambientais no Amazonas. Nos últimos três dias, a cidade registrou 139 focos de incêndio, liderando o ranking estadual de queimadas e enfrentando uma qualidade do ar classificada como ‘péssima’.

Mudança na rota do fogo

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) revelam que, das 726 ocorrências registradas no Amazonas entre sexta-feira e a manhã desta terça-feira, quase 20% concentram-se em Autazes. O cenário marca uma mudança significativa no mapa de queimadas do estado: enquanto o Sul do Amazonas registrou queda nos índices devido à instalação de bases permanentes do Corpo de Bombeiros, o fogo migrou com força para o entorno da capital e para o Baixo Amazonas.

Ar irrespirável e visibilidade zero

A situação é crítica para os moradores. Registros do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva) indicam uma concentração de partículas finas de 708,6 µg/m³, um índice alarmante que compromete a saúde da população. Relatos de barqueiros e moradores descrevem uma densa cortina de fumaça que encobre rios e estradas, impedindo a visibilidade e transformando o cotidiano em um desafio de sobrevivência.

Operação de combate reforçada

Para conter o avanço das chamas, uma força-tarefa composta por 11 aeronaves — incluindo um cargueiro KC-390 da FAB e aviões Air Tractor — foi mobilizada. A estrutura conta ainda com o apoio de 290 brigadistas do Ibama e ICMBio. No entanto, o combate aéreo tem enfrentado obstáculos severos, já que a densa fumaça tem impossibilitado a decolagem e a operação segura de várias aeronaves em áreas de visibilidade reduzida.

Cenário preocupante de outubro

Os números refletem uma realidade preocupante para todo o estado. Nos dez primeiros dias de outubro, o Amazonas contabilizou 1.380 focos de incêndio, um salto de 271% em relação ao mesmo período de 2025. O fogo não tem poupado áreas protegidas, atingindo terras indígenas, unidades de conservação e assentamentos, colocando sob risco a biodiversidade e a saúde pública dos amazonenses.


Edição: Amazon Online.
Foto da capa: Reprodução.

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