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Arte e tecnologia: ‘Bordaduras’ transforma fachada do Sesi Lab e provoca reflexão sobre a era da IA

Brasil e Mundo

A arte contemporânea encontrou um novo espaço de diálogo em Brasília. A instalação monumental “Bordaduras”, da renomada artista plástica Regina Silveira, ocupa 530 metros quadrados da fachada de vidro do Sesi Lab, fundindo a tradição ancestral do bordado com a arquitetura moderna. A obra, que estreou nesta terça-feira (15), utiliza vinil adesivo para projetar agulhas e pontos de cruz inacabados, convidando o público a um mergulho na memória e no afeto.

Um resgate da memória

Para quem circula diariamente pelo museu, como a agente de portaria Kaliane Martins, a obra despertou lembranças profundas. “Aprendi a bordar com minha mãe e minha avó. Vi as agulhas e me recordei de toda a trajetória de vida que costurei até aqui”, relata. O trabalho de Silveira, aos 87 anos, busca justamente esse efeito: conectar o passado doméstico, historicamente atrelado à alfabetização feminina, com a modernidade digital.

Bordando o futuro da tecnologia

A instalação integra o 25º Encontro Internacional de Arte e Tecnologia, que acontece até domingo (20). O evento coloca em pauta como a inteligência artificial interage com a criatividade humana. Regina Silveira é enfática ao destacar que a tecnologia deve ser subordinada à linguagem, e não o contrário: “A IA pode ajudar, mas não cria. A verdadeira invenção é um processo humano, não algo que cai do céu”.

Criatividade além dos algoritmos

A coordenadora do evento, Suzete Venturelli, reforça que a resistência ao uso desenfreado de IAs generativas é um movimento necessário. “Percebemos que muitos bancos de dados atuais carregam vieses racistas e eurocêntricos. Precisamos educar para uma utilização que privilegie a nossa capacidade inventiva e crítica”, pontua.

Arte que desconecta para conectar

O impacto da obra ultrapassa os círculos acadêmicos. O malabarista Gabriel Coelho, de 21 anos, encontrou na representação do bordado um refúgio tecnológico. “Desestresso com agulha e linha, e isso me mantém mais longe do celular. É uma forma de voltar para si mesmo”, compartilha o artista. A exposição no Sesi Lab e no Museu Nacional de Brasília segue aberta ao público, reafirmando que, entre pixels e linhas, a mão humana continua sendo o centro de toda criação.


Fonte: Agência Brasil. Edição: Amazon Online.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

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