Crescimento alarmante
A violência política de gênero no Brasil atingiu níveis preocupantes. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelam que o número de processos judiciais relacionados a essa prática cresceu mais de 11 vezes nos últimos quatro anos. Em 2022, a Justiça Eleitoral recebeu 15 casos, enquanto apenas até setembro de 2026, esse número saltou para 177 registros.
O peso do silenciamento
O impacto dessa violência vai muito além do ataque direto à parlamentar ou candidata. A ministra do TSE, Estela Aranha, alerta que o objetivo desses agressores é silenciar vozes femininas e desencorajar a participação de novas mulheres na vida pública. Ao promover o medo e a intimidação, a democracia é diretamente enfraquecida, visto que metade da população acaba sendo expulsa do debate político por receio de retaliações.
Interseccionalidade: gênero e raça
A violência não atinge as mulheres de forma igualitária. Estudos do Instituto Marielle Franco apontam que, entre os casos analisados, 87% das vítimas são mulheres negras. Em um cenário crítico, movimentos sociais entregaram ao TSE um dossiê relatando ameaças de morte, ataques racistas e perseguições específicas contra candidatas negras e LBTs, exigindo medidas urgentes das autoridades.
Brasil abaixo da média global
Apesar de o país possuir legislação voltada à representatividade, a realidade nas urnas ainda é de exclusão. O Brasil ocupa a 135ª posição em um ranking de 184 nações sobre participação feminina no parlamento. Além disso, em mais de 700 municípios brasileiros, não há uma única mulher ocupando cargos eletivos, e apenas 16% das prefeituras são comandadas por mulheres, evidenciando que a violência é o maior obstáculo para a equidade na política nacional.
Fonte: Agência Brasil. Edição: Amazon Online.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

