Em 1992, o jornalista Ubiratan Brasil vivenciou uma cena que hoje soaria surreal: em uma sala do Masp, em São Paulo, ele assistia a um filme ao lado de apenas 15 outras pessoas e do próprio diretor. O cineasta em questão era Quentin Tarantino, e o filme, Cães de Aluguel. O episódio ilustra perfeitamente o papel pioneiro da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que, ao completar 50 anos, se consolida como o maior portal de conexão entre o público brasileiro e o cinema mundial.
Uma janela para o mundo
Antes da consolidação do festival, as salas de cinema no Brasil eram dominadas quase exclusivamente por grandes produções de Hollywood. A Mostra surgiu em 1977, sob a batuta de Leon Cakoff, como um oásis para cinéfilos sedentos por obras chinesas, coreanas, cubanas e tantas outras que jamais chegariam ao circuito comercial. Para muitos, a experiência de assistir a filmes legendados em idiomas desconhecidos era uma verdadeira aventura cultural, moldando gerações de críticos e cineastas.
Resiliência e paixão
Mesmo atravessando períodos de censura na ditadura ou desafios financeiros, o evento nunca interrompeu sua trajetória. A diretora Renata de Almeida, que vive o festival há 37 anos, define o sucesso do evento como uma capacidade de se adaptar: a Mostra já exibiu desde edições gigantescas com mais de 460 filmes até formatos mais intimistas, provando sua elasticidade e relevância cultural.
Celebração de 50 anos
Nesta edição histórica, o festival exibe 380 filmes de 93 países, além de promover debates e o lançamento de livros que documentam essa trajetória afetiva. Mais do que exibir obras, a Mostra transformou-se em uma grande confraria de afetos, onde o cinema de rua sobrevive como uma experiência coletiva insubstituível na era dos streamings e das telas individuais.
Fonte: Agência Brasil. Edição: Amazon Online.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

