Uma jornada contra a desigualdade hídrica
Dois brasileiros foram selecionados entre jovens de 75 países para levar uma pauta urgente à Conferência da ONU sobre a Água, que acontece em dezembro, em Abu Dhabi. Erleyvaldo Bispo, de Sergipe, e Laura de Azevedo Viana, da Bahia, foram escolhidos pelo programa Global Youth Water Envoys para representar a realidade de quem cresceu enfrentando a falta de acesso à água potável.
Superando limites
Para Erleyvaldo Bispo, de 28 anos, o ativismo nasceu da necessidade. Natural do agreste sergipano, ele vivenciou de perto a dependência de carros-pipa e a constante preocupação com poços secos. Essa vivência o levou a fundar a ONG Águas Resilientes. “Vou levar a voz de milhares de brasileiros que acordam todos os dias sem saber se terão água para beber”, afirma o jovem, que também alerta para os riscos climáticos, incluindo a preservação da Amazônia.
Combate ao racismo ambiental
A bacharel em direito Laura de Azevedo Viana, de 23 anos, traz uma perspectiva focada na governança e na justiça social. Moradora de um bairro periférico em Salvador, ela denuncia o que chama de racismo ambiental: a disparidade no fornecimento de água entre bairros nobres e áreas marginalizadas. “A pesquisa ajuda a comprovar essa desigualdade. Precisamos de espaços institucionais permanentes, não apenas eventos simbólicos”, destaca.
A juventude como protagonista
O evento em Abu Dhabi busca acelerar o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS 6) da ONU. A expectativa é que os 100 jovens selecionados não sejam apenas ouvintes, mas consultores qualificados. Segundo a organização do fórum, o objetivo central é que esses representantes tragam o rigor da vivência local para transformar discussões globais em políticas públicas eficazes, garantindo que o acesso à água seja tratado como uma questão fundamental de soberania nacional.
Fonte: Agência Brasil. Edição: Amazon Online.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

