A proibição das apostas online no Brasil, concretizada na última sexta-feira (25), trouxe um sopro de alívio para milhares de brasileiros que viram suas vidas desmoronarem. Para muitos, como Kaio*, de 42 anos, a medida representa a primeira chance de reconstruir uma trajetória marcada pela perda de bens, emprego e o isolamento forçado por dívidas com agiotas. Hoje, tentando superar o vício, ele busca tratamento em um Centro de Atenção Psicossocial (Caps) e alerta para o rastro de destruição deixado pelas plataformas.
Um mercado sem freios
Embora a regulamentação tenha sido debatida nos últimos anos, a realidade é que, desde 2018, as plataformas operaram praticamente sem supervisão efetiva. Mesmo com a implementação tardia de regras sobre alertas de risco em 2023, o ambiente digital permitiu que empresas ignorassem diretrizes básicas, como o bloqueio de usuários compulsivos. Pelo contrário, a enxurrada de notificações e bônus mantinha os apostadores cativos em um ciclo vicioso de perdas.
Vulnerabilidade e prejuízo bilionário
O impacto financeiro é alarmante: entre o final de 2024 e o primeiro semestre de 2026, as famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para as apostas. Especialistas apontam que a publicidade enganosa, focada na falsa promessa de renda extra, foi a porta de entrada para pessoas em situação de vulnerabilidade. O perigo atingiu todas as faixas etárias, inclusive adolescentes; um estudo revelou que um em cada cinco estudantes já realizou apostas, começando, em alguns casos, aos 11 anos.
Alerta para a saúde mental
A dependência psicológica das apostas online, descrita por especialistas como um “cassino no bolso”, gerou um aumento preocupante nos casos de ansiedade e ideação suicida. O cérebro adolescente, ainda em fase de amadurecimento, torna-se uma vítima fácil para a descarga de dopamina imediata que o jogo proporciona, sem o freio necessário para lidar com as derrotas. Diante deste cenário, o Ministério da Saúde anunciou ações de busca ativa para oferecer suporte a quem se tornou refém do jogo, integrando dados governamentais para facilitar o acesso ao tratamento no SUS.
Fonte: Agência Brasil. Edição: Amazon Online.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

