Em uma demonstração surpreendente de preparo e clareza, o pedreiro Edilson Takahara assumiu sua própria defesa em um julgamento trabalhista no Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT11), em Manaus. Ao realizar a sustentação oral, o trabalhador contestou a empresa para a qual prestou serviços, argumentando contra a tese de trabalho autônomo e questionando a conduta da companhia ao longo do processo.
Autonomia ou subordinação?
Edilson explicou aos magistrados que sua rotina em uma obra de 15 andares, utilizando técnicas de rapel e seguindo orientações diárias de engenheiros e encarregados, era incompatível com a figura de um trabalhador autônomo. Ele questionou: ‘Como um trabalhador autônomo poderia fazer isso se não estivesse inserido em uma equipe?’, reforçando que a subordinação era evidente no canteiro de obras.
Contradições e WhatsApp
Outro ponto central da fala do pedreiro foi a contestação de manobras processuais da empresa. Edilson apontou que a companhia teria ‘inovado’ ao apresentar a tese de trabalho autônomo apenas na fase de recurso. Além disso, ele desmentiu a empresa sobre o uso do WhatsApp para notificações, apresentando conversas que provavam a comunicação recorrente entre a equipe e o RH, tratando inclusive sobre sua rescisão contratual.
Reconhecimento da Justiça
A performance de Edilson foi tão impactante que o relator do processo, o juiz convocado Sandro Nahmias Melo, não poupou elogios. ‘Pode mudar de profissão porque a lógica de seus argumentos acaba sendo melhor do que muitas sustentações que esta turma tem ouvido’, afirmou o magistrado. O desembargador Audari Matos Lopes reforçou o elogio, comparando a coragem do trabalhador a figuras históricas que defenderam causas próprias sem formação jurídica convencional.
Edição: Amazon Online.
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