Um alerta para o campo brasileiro
O Brasil atingiu uma marca preocupante no cenário agrícola mundial. De acordo com um novo relatório da Oxfam, divulgado no Dia Mundial da Alimentação, o país se consolidou como o segundo maior importador de pesticidas proibidos dentro da União Europeia (UE), atrás apenas dos Estados Unidos. Em 2024, foram registradas 15 mil toneladas desses produtos químicos entrando em solo brasileiro.
Critérios desiguais e impactos na saúde
A denúncia aponta para uma prática que críticos classificam como um “duplo padrão” colonial. Enquanto a UE proíbe o uso dessas substâncias para garantir a segurança de sua própria população e ecossistema, empresas do bloco continuam fabricando e exportando os mesmos venenos para países do Sul Global. O resultado é a exposição direta de trabalhadores rurais e comunidades brasileiras a produtos altamente tóxicos.
Monoculturas e dependência química
Os dados revelam que 49% de todos os agrotóxicos comercializados no Brasil são classificados como altamente perigosos, um contraste gritante com os 12% registrados na Alemanha. Essa alta dependência está ligada ao modelo de grandes monoculturas de exportação, como soja, café e cana-de-açúcar. A preocupação aumenta com o ritmo acelerado de novas liberações: em 2025, o Brasil bateu um recorde ao autorizar 725 novos pesticidas.
Concentração de lucro e riscos
O lucro desse mercado bilionário permanece concentrado nas mãos de quatro grandes corporações globais, que faturaram cerca de R$ 15,37 bilhões com produtos proibidos na Europa. Para especialistas, o cenário exige uma revisão urgente nas políticas regulatórias para que a saúde pública e a proteção ambiental sejam priorizadas sobre os interesses comerciais das gigantes do setor agroquímico.
Fonte: Agência Brasil. Edição: Amazon Online.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

